Sinais sutis no dia a dia podem indicar problemas de visão, exigindo atenção de pais e professores
A forma como as crianças enxergam o mundo influencia diretamente seu desenvolvimento cognitivo e social. A visão é responsável por grande parte da assimilação de informações, especialmente no ambiente escolar. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 1,4 milhão de crianças vivem com algum grau de perda visual, um número que pode crescer diante do aumento do uso de telas como celulares, televisores e computadores.
Segundo a oftalmologista Dra. Daniele Bica Madalozzo, “nosso aprendizado é 80% realizado de forma visual, e a visão é o nosso principal meio de interação com as pessoas ao nosso redor”. Quando há dificuldades visuais não diagnosticadas, a criança pode apresentar desinteresse nas aulas, distração frequente e até atraso no aprendizado, muitas vezes sem que a causa real seja identificada rapidamente.
Sinais que vão além da sala de aula
Problemas de visão na infância nem sempre são percebidos de imediato, mas existem indícios que podem ajudar pais e professores a identificá-los. Dificuldade para copiar do quadro, erros na escrita, perda de ritmo nas atividades e falta de concentração são alguns dos sinais mais comuns.
Além disso, comportamentos como preferir sentar nas primeiras carteiras, aproximar-se muito da televisão ou relatar dores de cabeça frequentes também merecem atenção. Esses sinais podem indicar que a criança está tentando compensar alguma limitação visual, o que reforça a importância de uma observação cuidadosa no dia a dia.
A importância do diagnóstico precoce
O acompanhamento oftalmológico deve começar cedo. A recomendação é que o primeiro exame seja realizado entre os seis meses e um ano de idade, com retornos aos três anos e entre cinco e seis anos. Essas avaliações permitem identificar problemas como miopia, astigmatismo e hipermetropia, além de analisar a saúde geral dos olhos.
Mesmo quando a criança ainda não consegue colaborar totalmente durante a consulta, há métodos específicos para detectar alterações precoces. Como destaca a médica, “mesmo que a criança não colabore completamente durante o exame, nós temos ferramentas para detectar alterações precoces”.
A frequência das consultas pode variar de acordo com fatores como histórico familiar e hábitos, especialmente o uso excessivo de telas, que está associado ao aumento dos casos de miopia. Por isso, o acompanhamento regular é fundamental para garantir uma visão saudável e evitar prejuízos no desempenho escolar e no desenvolvimento infantil.
